Inerte

Hoje, metade da cidade acordou triste. O pão-na-chapa está torrado, o café-com-leite está pálido, o suco está sem gelo. As reuniões dão em nada, os negócios não saem, as pautas se escondem. Hoje, o feirante está quieto, o freguês disperso esquece o lenço, olha, e dispensa. Hoje o sol está fosco. O grande monstro do trânsito está manso. Não há buzinas nem berros, só há inércia. Hoje as entregas estão atrasadas. As aulas não fluem, o sono não passa, desgraça! Ah, o inferno da derrota! Singular sensação, tal mistura precisa de dor e frustração que sufoca o peito, apaga a luz da alma enquanto falta, até o próximo domingo ou quarta, o doce sabor da vitória. Hoje, a metade alvinegra de São Paulo acordou sem vida.

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