Ativista

Chego na padoca. Nada na vitrine tem muito apelo, não conheço as opções, mas acompanho a maioria.
– Um enrolado, por favor.
O campeão atrás do balcão gelado me fita de rabo de olho e faz que sim com a cabeça. Pouco tempo passa, e, para minha surpresa, me é apresentada uma maria-mole.
– O que é isso? Eu pedi um enrolado!
– Mas quem decide sou eu, e peguei essa maria-mole aí.
Ah, não. Isso eu não posso aceitar. Não vou engolir maria-mole por enrolado. Que absurdo!
– Nada disso! Eu quero meu enrolado!
– Não interessa. Já peguei a maria-mole.
– Ah, é? Então não vou comer! Estou em greve! Essa maria-mole vai é pra parede!
– Vamo aí, povo, vamo agitar essa padoca!
– GREVE! GREVE! GREVE!
Algumas pessoas aderem ao movimento e logo um coro clama por justiça, exigindo a entrega do enrolado. Numa passada rápida de olhos pelo relógio engordurado na parede, vejo que já são 8h28. Passo no caixa, pago minha comanda e sigo pro trabalho, satisfeito.

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